Em 2008, o Google me deletou



Nunca vou me esquecer do dia 31 de dezembro de 2008. Depois de passar uma semana sem acesso à internet, volto a São Paulo e tento acessar a minha conta no Gmail. Surpresa! Ela não existia mais. A imagem acima foi feita naquela data, para que eu me lembrasse para sempre do horror de perder quatro anos de e-mails, muitos deles com informações importantes, e toda a minha lista de contatos.

Mas o problema era muito, mas muito maior. Na verdade, minha conta do Google, que dava acesso a todos os serviços da empresa, é que havia sido desativada. Adeus, documentos do Google Docs. Adeus, perfil do Orkut. Adeus, lista de feeds do Google Reader. Adeus, álbuns virtuais do Picasa. Minha cabeça entrou em parafuso. Fui atrás de uma solução em fóruns da internet. Sem sucesso. Em um dos tópicos, um infeliz internauta dizia: “É muito fácil resolver. Basta criar outra conta.”

Havia muita gente desesperada e ninguém parecia ter conseguido contornar a situação. Descobri, inclusive, que isso é muito mais comum do que imaginamos. É só fazer uma pesquisa com os termos “Google” e “conta desativada”. Ainda assim, ninguém tinha a menor noção de como resolver o impasse.

No meu caso, o que teria causado o problema? Uma pane? Vasculhei os sites de notícias e não havia nada sobre o assunto. Uma retaliação a este blog? Não, não podia ser. Afinal, os funcionários do Google adotam o lema “Don’t be evil” e jamais fariam uma coisa dessas... Muito menos os leitores... O melhor era parar de viajar na maionese e continuar a buscar uma solução.

Tentei me logar mais umas três vezes. Nada. Aí, decidi clicar na interrogação logo depois da mensagem “Lamentamos, mas a sua conta foi desativada”. Fui encaminhado a um extenso formulário em inglês, que parecia elaborado pelo FBI. Primeiro, disse o que achava que havia ocorrido: “O acesso à minha conta foi comprometido.” Depois, respondi a um verdadeiro interrogatório, com um monte de perguntas muito específicas, como “Quem te convidou para o Gmail? Quando foi?”, “Para quais e-mails você sempre escreve?” e “Quem te chamou para o Orkut? Em que dia a sua conta foi aberta? Qual era o seu e-mail secundário fornecido na ocasião?”.

A sorte era que eu sabia boa parte dessas informações. Preenchi o que podia e cliquei em “Enviar”. Cerca de uma hora depois, tudo havia voltado ao normal. O Grande Irmão aceitou as minhas explicações e me devolveu o acesso, sem nenhuma burocracia. Estava tudo lá. Mas nunca vou saber o que aconteceu realmente. Bem que poderia ter vindo uma mensagem de explicações ou de desculpas... Ops! Melhor fechar o bico.


Postado por - Mauricio Moraes - 07/01/2009
 

PERFIL
Maurício Moraes é editor da INFO, especializado em Internet. Começou a cobrir tecnologia no Estadão, e já atuou como repórter de política.



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