NOVA YORK- Primeiro, a redução do preço do iPhone 3G deixou usuários do modelo anterior se sentindo idiotas. Depois vieram as notícias de iPods que se superaqueciam. Agora, o aclamado iPhone 3G apresenta bugs, falhas de serviço e programas que desaparecem.
Um conjunto de fatores como esse costuma levar empresas de eletrônicos a crises. Mas a Apple não é apenas uma empresa de eletrônicos. Por isso, parece que sua imagem se manterá impoluta.
“Os fatos nos mostram que a Apple está cometendo diversos erros”, disse Peter Fader, professor de marketing da Universidade da Pensilvânia. Entretanto, segundo Fader, os fãs da marca e até mesmo usuários casuais dos seus produtos, se identificam de tal forma com a imagem transmitida pela empresa que simplesmente não querem mudar de opinião em relação à Apple.
“São raras as companhias que conseguem fortalecer sua imagem dessa forma”, comentou Fader.
Baba Shiv, professor de marketing da Universidade de Stanford, compara os fãs da Apple com os fãs das motos Harley-Davidson, que não se interessam pelas melhores características das motos japonesas, por exemplo.
“O fato que mudou completamente o relacionamento da Apple com seus usuários foi a estréia do iPod” afirma Shiv. “A Apple deixou de ser uma marca de produtos de relativo luxo e direcionada a um público segmentado para participar do mainstream da indústria de eletrônicos e ser desejada fielmente por uma multidão de consumidores”, ele explicou.
Para Shiv, uma vez que o consumidor estabelece uma relação de lealdade com a marca, é necessário um problema muito grande ou algo que o desagrade demais para ele deixar de preferir os seus produtos, mesmo sabendo que eles podem não ser os de melhor qualidade e com preços mais atrativos.