SÃO PAULO – As operadoras de telefonia móvel estão diante de um cenário muito desafiador, segundo o IDC.
Uma das dificuldades que será encarada pelas operadoras, segundo o IDC, é o aumento de uso de redes Wi-Fi e VoIP para fazer ligações.
“As operadoras vão ganhar cada vez menos com voz, elas precisam investir mais em dados”, diz o analista do IDC, Vinícius Caetano. No Brasil, apenas 4% dos ganhos das operadoras equivalem aos serviços de dados. A média mundial é de 9%.
A entrada de duas operadoras móveis (MVNO) no mercado de São Paulo, a Oi e Unicel, prevista para o segundo semestre de 2008, irá aumentar a concorrência no mercado de telefonia móvel. “Para o consumidor, isso é ótimo, porque pode significar uma queda de tarifas”, diz Caetano. As MVNO utilizam a estrutura de outras operadoras para oferecer seus serviços. Segundo Caetano, a experiência foi boa para o consumidor nos Estados Unidos e Europa, mas não foi bem aceita no Chile.
Outro fator que vai acirrar a concorrência entre as operadoras é a portabilidade numérica, que permitirá ao cliente trocar de operadora e manter o seu número de telefone. Segundo o calendário da Agência Nacional de Telecomunicações, a Anatel, a portabilidade numérica passa a valer a partir de agosto e deverá atingir todo o Brasil até março de 2009.
Com a chegada do 3G no Brasil, as operadoras deixam de ter controle do conteúdo acessado pelo cliente. “Até agora, as operadoras controlavam muito a oferta de conteúdo, mas agora o cliente pode usar a internet e acessar outros conteúdos, fora do portal da operadora”, diz Caetano.
Segundo o IDC, o mercado brasileiro de telefonia móvel está em expansão, enquanto os mercados mais maduros europeus já enfrentam estagnação. “A banda larga móvel puxa esse crescimento”, diz o consultor do IDC. Segundo pesquisa do instituto, o 3G já representa 8,9% dos acessos de banda larga no Brasil.