SÃO PAULO - A LG Brasil recebeu autorização da matriz para avaliar transferir sua produção da fábrica de Manaus.
Uma das possibilidades é levar a planta industrial para a Terra do Fogo, na Argentina, após disputa envolvendo benefícios fiscais que culminou com a cassação da inscrição estadual da companhia pela Justiça e a interrupção da produção da empresa no Estado.
"A LG da Coréia nos autorizou a analisar outros Estados para fazermos uma avaliação (de transferência da fábrica)", disse Dilson Suplicy Funaro, diretor relações institucionais da LG no Brasil, à Reuters.
"Inclusive nos autorizaram a analisar a Terra do Fogo, na Argentina (...) Em termos de quilometragem, Manaus e Terra do Fogo são praticamente equivalentes", acrescentou o executivo.
A companhia anunciou nesta segunda-feira que está suspendendo por tempo indeterminado a produção em sua fábrica de eletroeletrônicos e condicionadores de ar instalada em Manaus.
A LG teve cassada na semana passada, pela Justiça do Amazonas, sua inscrição estadual, o que impede a companhia de produzir no Estado. A cassação ocorreu depois que a Justiça estadual concedeu liminar atendendo a um pedido do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas para suspensão de incentivos fiscais concedidos à companhia sul-coreana.
Segundo a entidade sindical, os benefícios tributários são causadores de desequilíbrios pois são maiores que os concedidos a outras empresas da região.
A LG --que afirma empregar 4.500 funcionários no Pólo Industrial de Manaus-- informou que optou em 2003 por continuar sob uma legislação de incentivos fiscais que garantia à empresa obter 100 por cento de isenção no recolhimento de ICMS até 2012, sem que fossem introduzidos novos tipos de produtos em sua unidade produtiva na região. A partir dessa data, os incentivos devem ser reduzidos para 70 por cento e deixam de existir em 2013, quando a empresa deve voltar a pagar o imposto em sua totalidade.
SEM PREVISÃO
"Não temos previsão ainda de quando voltaremos a operar. Nós queremos trabalhar hoje", disse Funaro, acrescentando que a empresa atua dentro da legislação e que advogados da companhia estão discutindo as opções jurídicas da companhia.
Representantes do governo do Estado do Amazonas não puderam ser contatados para comentar o assunto.
O Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas classificou como "represália" a atitude da LG de fechar a fábrica e de receber autorização para estudo de transferência de produção.
"Isso é uma atitude de empresário que não tem compromisso com a indústria brasileira e que só está visando lucros. Além disso, eles não têm dado garantias de que vão ficar em Manaus após 2013", declarou a assessoria de imprensa da entidade.
O sindicato trabalha "com urgência" em um documento para ser enviado à matriz da LG na Coréia do Sul cobrando um posicionamento formal da companhia sobre os planos para a unidade do Amazonas.
Segundo o sindicato, o pólo industrial de Manaus abriga cerca de seis grandes fabricantes de produtos eletroeletrônicos, incluindo a LG, e 30 mil trabalhadores. A entidade afirma que as outras empresas do pólo trabalham com cerca de 50 por cento de isenção tributária.
Funaro informou que a LG investiu em 2006 em Manaus 40 milhões de dólares para ampliação de seu complexo industrial. A previsão para este ano era de mais 30 milhões de dólares em investimentos, que foram suspensos por causa dos problemas.
O executivo afirmou que a empresa tinha até sexta-feira previsão de ampliar seu faturamento em 2007 no Brasil para 2,5 bilhões de dólares, 30 por cento acima do registrado no ano passado.
A LG possui outra planta no Brasil em Taubaté, interior de São Paulo (SP), onde fabrica produtos de informática e celulares.
<p><a href="" rel="bookmark" title="INFO Online">LG estuda opções fora do Amazonas</a>, Reuters - SÃO PAULO - A LG Brasil recebeu autorização da matriz para avaliar transferir sua produção da fábrica de Manaus.
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