SÃO PAULO - Após parar produção em Manaus, LG admite voltar a produzir se reverter decisão judicial. Do contrário, fábrica pode ir até para a Argentina.
O diretor de marketing da LG, Eduardo Toni, afirmou que a expectativa da empresa é resolver a disputa judicial que mantém com o governo do Amazonas até sexta-feira (1) e retomar a produção na Zona Franca de Manaus “o mais breve possível”.
A empresa deu licença remunerada para seus funcionários a partir desta segunda-feira (28) e paralisou a produção na planta industrial de Manaus desde que o governo estadual cassou a inscrição da empresa no Amazonas.
O governo local quer enquadrar a LG numa nova categoria fiscal, o que diminuiria os benefícios que a empresa possui por atuar na Zona Franca. Segundo o governo, a LG beneficia-se injustamente de um benefício que só deveria ser concedido para empresas que atingem metas de altíssima produção na região, o que, segundo o governo, não é o caso da LG.
Na interpretação da LG, no entanto, a empresa beneficia-se de uma opção inteligente que fez no passado, ao aderir a um regime fiscal diferenciado. “Todos os players do mercado tiveram as mesmas opções que a LG. Nós tomamos nossa decisão e queremos que ela seja respeitada”, diz Toni.
Quando o governo do Amazonas definiu critérios de benefícios fiscais, a LG optou por um plano em que pagaria menos impostos no curto prazo, porém abriria mão de alguns incentivos fiscais em definitivo a partir de 2013. A maior parte dos fabricantes de eletrônicos na Amazônia, no entanto, optou por outro plano, em que se recebe menos benefícios, porém por um tempo mais prolongado. Por isso, a LG teria uma vantagem competitiva no curto prazo. Na opinião da LG, o governo local está mudando regras acordadas e desrespeitando contratos.
“Nossa junta de advogados já está em Manaus e temos a expectativa de reverter esta decisão até sexta-feira (1)”, diz Toni, referindo-se a sentença da justiça local que deu razão ao governo do Amazonas.
Se a LG não tiver sucesso em sua ação jurídica, o grupo avalia deixar Manaus. “A idéia inicial é ficar na Amazônia onde temos negócios há dez anos e construímos uma ótima relação com a comunidade. Mas se a empresa entender que seus direitos não estão sendo respeitados admitimos ir para outro Estado brasileiro ou até sair do país”, diz Toni.
O diretor de relações institucionais da LG no Brasil, Dilson Suplicy Funaro, afirmou à agência Reuters que recebeu autorização da matriz sul-coreana para estudar a transferência da fábrica para outros Estados ou país. Segundo Funaro, uma das opções é levar a linha de montagem para a Terra do Fogo, na Argentina. Segundo o executivo, a distância da Terra do Fogo em relação aos grandes centros consumidores é a mesma da Amazônia.
“Mudar uma fábrica não é algo simples. Por isso, preferimos trabalhar com a idéia de que continuaremos em Manaus. Mas, no limite, podemos sim ir para outro pais”, diz Toni.
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