LISBOA - A Portugal Telecom (PT) e a Telefónica estão focadas na melhoria operacional da Vivo.
As empresas não têm qualquer acordo para mudar o controle ou a estrutura acionária da empresa que controla a operadora, disse o presidente-executivo da empresa portuguesa, Henrique Granadeiro.
Granadeiro, que também é chairman da PT, disse em entrevista à Reuters que a Portugal Telecom e a Telefónica têm uma boa relação e que a companhia espanhola não pretende vender sua posição de 9,96 por cento na PT.
"Não existe nenhum acordo com a Telefónica sobre a mudança de controle ou mudança da estrutura acionária da Brasilcel (holding que controla a Vivo) e, a Portugal Telecom e a Telefónica, continuam focadas na melhoria das operações da Vivo", afirmou Granadeiro.
Ele frisou que as duas empresas "mantêm discussões regulares sobre alternativas estratégicas para a Brasilcel, bem como iniciativas visando a melhoria do desempenho operacional da Vivo".
O executivo esclareceu que a Portugal Telecom não tem nem está à procura de um parceiro para substituir a Telefónica na estrutura acionária da companhia portuguesa.
"Esta questão não se põe porque, tanto quanto sei, a Telefónica não é vendedora da sua participação na Portugal Telecom. Somos parceiros estratégicos desde 1996 e sempre tivemos uma relação muito boa. Somos, aliás, parceiros na Vivo e na Medi Telecom, dois importantes ativos para as duas empresas", disse.
Granadeiro disse que "a boa relação" que existe entre as empresas permitiu a implementação de decisões difíceis em 2006, como a implementação de uma rede GSM/EDGE para a Vivo.
"A nossa parceria funcionou plenamente e obtivemos preços muito competitivos para o fornecimento de equipamentos. O GSM, estamos certos, vai melhorar a competitividade da Vivo e assim criar valor para a Portugal Telecom e para a Telefónica. É nisso que estamos empenhados."
Ele reconheceu as dificuldades da Vivo, mas disse acreditar no forte potencial de valorização desse ativo no futuro, dadas as perspectivas econômicas favoráveis para o Brasil, bem como na melhoria operacional da Vivo. A Vivo divulgou seu resultado do primeiro trimestre na quarta-feira. O operadora reduziu seu prejuízo em 89,2 por cento.
"Estamos conscientes das dificuldades que o negócio atravessa no curto prazo, pois a Vivo está operando num mercado extremamente competitivo, mas sabemos que o valor deste ativo se cristaliza no longo prazo", afirmou.
A relação entre as duas empresas foi abalada quando a operadora espanhola apoiou a Sonaecom numa oferta dessa de empresa para compra da Portugal Telecom, que acabou fracassando.
Recentemente, a Telefónica e a Portugal Telecom admitiram que estão mantendo contatos na tentativa de encontrar uma solução para a Vivo. Analistas apontavam que existia uma grande probabilidade da Telefónica comprar a participação da Portugal Telecom na operadora de telefonia móvel brasileira.
A Telefónica, entretanto, fechou negociações com os bancos italianos Mediobanca e Intesa Sanpaolo para tentar deter o controle conjunto da Telecom Italia, que controla a operadora de telefonia móvel TIM Brasil.
Granadeiro reafirmou que a "presença no Brasil e na África são fundamentais para o crescimento e a diversificação do portfólio da Portugal Telecom".
"Na parte internacional, o Brasil e a África são e continuarão a ser prioridades estratégicas. (...) a nível internacional, continuamos a dar prioridade ao mercado brasileiro que nos garante escala, e à África que nos assegura crescimento", afirmou.
A Portugal Telecom pretende prosseguir com o processo de reestruturação da Vivo e consolidar a sua liderança no Brasil, enquanto no mercado africano, a empresa quer continuar a consolidar a sua presença procurando oportunidades de crescimento.
"(No mercado africano) vamos, sobretudo, procurar cumprir o compromisso de cristalizar valor nos nossos ativos, em particular através da PT Africa, o que acreditamos poder concretizar a curto prazo", apontou.
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