SÃO PAULO - O compromisso formal de manter gestões independentes de Vivo e TIM Brasil deve prevalecer.
Mas o relacionamento entre as duas maiores operadoras de celular do país vai se estreitar, avaliou uma fonte a par das negociações.
A expectativa é de que a Vivo venha a conseguir, por exemplo, um acordo nos Estados nordestinos em que tenta preencher a lacuna do serviço digital com o lançamento do GSM. "Na questão do roaming da Vivo no Nordeste, é natural negociar uma situação que seja mais adequada", disse a fonte, que pediu para não ser identificada.
Em Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí, a TIM Brasil poderia instalar infra-estrutura da Vivo na frequência de 850 Megahertz para atender milhões de usuários de celular CDMA que ainda têm aparelhos incompatíveis com o GSM. A Vivo fechou acordo similar com a CTBC Telecom em parte de Minas Gerais há cerca de dois anos.
O mercado brasileiro de telecomunicações iniciou a semana na expectativa de quais serão os efeitos locais do acordo de compra da Olímpia, controladora da Telecom Italia, fechado no sábado, e que dá à espanhola Telefónica dois dos 19 assentos do Conselho de Administração da principal operadora de telecomunicações italiana.
"Colocou-se no acordo uma disposição clara no caso do Brasil: a Telefónica sai da discussão do Conselho da Telecom Italia quando este for o tema", afirmou a fonte à Reuters nesta segunda-feira.
No Brasil, o grupo italiano detém o controle da TIM Brasil e possui participação na Brasil Telecom, mas está afastado da gestão.
ESCALA É A PALAVRA-CHAVE
O Brasil não é o único ativo estratégico para a Telefónica no acordo com os italianos, mas está entre os principais. Os investidores espanhóis temiam que o bilionário mexicano Carlos Slim assumisse a Telecom Italia e, com isso, promovesse a fusão entre a Claro, unidade brasileira de celular do grupo, e a TIM Brasil.
Segundo a fonte, a Telefónica obteve no acordo o direito de vetar um sócio industrial --ou seja, outra operadora de telecomunicações-- que queira adquirir a Telecom Itália ou algum ativo controlado por ela. Essa medida ganha ainda mais peso no momento de forte consolidação do mercado em todo o mundo.
"Escala" é palavra-chave para as operadoras no estágio atual. A Telefónica mantém como prioridade, de acordo com a fonte credenciada, assumir o controle da Vivo. Com a maior operação de telefonia móvel do país, o grupo vê mais possibilidades de crescimento no mercado local, já que a telefonia fixa está estagnada há alguns anos.
As negociações com a Portugal Telecom, que compartilha o controle da Vivo com os espanhóis, vêm avançando, mas o grupo português --justamente diante do cenário internacional de consolidação-- quer manter no Brasil uma operação de porte.
Para tanto, estaria negociando aquisição de outro ativo brasileiro, possivelmente o controle do grupo Oi, que tem investidores financeiros dispostos a sair do negócio.
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