SÃO PAULO - O CEO interino da Apple disse que consultará Jobs sempre que um tema estratégico entrar em discussão na empresa.
Desde 2004, quando Steve Jobs se afastou do comando da Apple para enfrentar uma cirurgia que lhe removeu boa parte do pâncreas, agredido por um tipo raro de câncer, investidores, usuários e a mídia especializada especulam um nome que possa assumir o comando da empresa.
Embora a Apple tenha sido criticada inúmeras vezes por não apresentar um plano para a sucessão de seu principal executivo, a estratégia da companhia se manteve firme em personalizar suas características positivas mais marcantes, como inovação, eficiência e design surpreendente na figura de Steve Jobs.
Até meados de 2008, a companhia tratava a saúde de Jobs como um assunto privado e conseguia evitar que os rumores contaminassem os negócios da empresa.
Em junho do ano passado, porém, quando Jobs apareceu em público para uma conferência global para desenvolvedores visivelmente mais magro, as especulações em torno de sua saúde passaram a afetar o desempenho das ações da Apple na Nasdaq.
Mercado desconfia da Apple sem Jobs
Bloomberg e CNN chegaram a publicar, por engano, um obituário de Jobs e uma notícia de que o executivo havia sofrido um ataque do coração, respectivamente.
Falsas, as notícias acabaram desmentidas pela Apple e foram até alvo de piada por parte de Jobs.
Em duas ocasiões, o líder da Apple brincou dizendo que “os relatos sobre minha morte são grandemente exagerados”, numa referência ao escritor americano Mark Twain. Em outro evento, o então CEO da Apple exibiu uma projeção com os números de sua pressão arterial.
No começo deste ano, em comunicado que surpreendeu o mercado, Jobs divulgou uma nota pública admitindo sofrer de problemas hormonais, o que seria o fator responsável por sua perda de peso. Nesta quarta (14), o executivo pediu licença do cargo de CEO.
O mercado financeiro desconfia que, sem seu guru, a Apple mantenha a mesma capacidade de inovação e atração sobre os usuários.
Após o anúncio da licença médica de Jobs na quarta (14), os papéis da companhia chegaram a recuar mais de 10% para depois se recuperarem e fechar o pregão na Nasdaq com baixa de 6,5%.
Substituto é nome de confiança de Jobs
Nos últimos meses, investidores e fãs da Apple puderam ver o nome de outros executivos da companhia figurar em listas de palestras e entrevistas à imprensa.
O vice-presidente de marketing da Apple, Phill Schiller, foi o responsável por apresentar o keynote da empresa na abertura da MacWolrd 2009, há uma semana. Esta foi a primeira vez após anos que esta função não coube a Jobs.
O chefe de hardware da empresa, Bob Mansfild, e o guru do design na Apple, Jonny Ive, também tiveram seus nomes citados em diversas análises sobre eventuais substitutos de Jobs.
Scott Forstall, responsável pelo desenvolvimento do iPhone, também protagonizou apresentações de produtos e deu entrevistas como porta-voz da Apple diversas vezes em 2008, fazendo crescer os rumores de que o guru do iPhone pudesse substituir Jobs.
CEO interino passou por IBM e Compaq
O nome indicado para assumir o comando da empresa, no entanto, foi o de Timothy D. Cook, mesmo executivo que ocupou as funções de Jobs há cinco anos, quando Steve Jobs precisou ser operado.
Desde então, Cook ocupa a função de chief operating officer (COO) e é o responsável pelas estratégias de vendas da empresa no mundo, canais de assistência técnica, suporte aos consumidores e figura central nas decisões sobre estratégias de comunicação e vendas da empresa.
Antes de trabalhar na Apple, Cook foi um dos diretores da Compaq e passou 12 anos como diretor da IBM.